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Home Colunas Cel Júlio Cezar Costa

A Cidade dos Apelidos

Cleilton Gomes por Cleilton Gomes
in Cel Júlio Cezar Costa, Colunas, Crônicas do Coronel, Segurança
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A Cidade dos Apelidos
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Começo a relembrar a infância e a juventude vividas na cidade do Alegre. São muitas boas recordações. Pessoas, lugares, circunstâncias que nunca sairão de minha mente, mesmo com tantas outras preocupações que a maturidade nos trouxe.

Tali Sharot (2016), neurocientista israelense, em sua obra “o viés otimista” mostra que existe fundamento biológico para uma alma esperançosa. Será neste caminho que percorrerei nesta breve crônica, cada uma das ruas, dos quarteirões e bairros da sublime terra alegrense, num passeio imaginário, buscando relembrar as casas, seus moradores e enfim, os muitos apelidos.

Em nenhum outro lugar conheci uma cidade com a expressiva tendência de nominar pessoas, através de seus apodos. Alegre neste quesito é também ímpar. São centenas de “nomes fantasias” que se tornaram nomes próprios no cotidiano vivencial dos alegrenses.

Em outros artigos que publiquei, consegui enumerar cerca de 60 alegrenses que só são conhecidos pelos apelidos. Prometi, a mim e aos leitores que voltaria ao assunto. Pois é, estou de volta a essa hilariante, mas real situação.

Por duas horas, após me encontrar com amigos e amigas de infância, voltou-me a esperança de falar mais, da peculiaridade alegrense por usar freneticamente apelidos como nomes reais.

Abro aqui um parêntese para falar do Dr. José Clélio de Medeiros Terra. Meu primeiro Diretor Escolar no Colégio Aristeu Aguiar, isto há exatos 53 anos. Homem educado e de fino trato, excelente pai, professor universitário e advogado que em muito contribuiu para a minha vocação pela leitura, mesmo que ele tenha ido para a eternidade sem saber dessa minha inconfidência.

Foi pelas letras dos exemplares diários do Jornal do Brasil recebidos na residência do Dr. José Clélio, vizinha à nossa, que iniciei minhas leituras, sempre com a parcimônia do entregador, seu irmão Virgínio Terra, que me permitia ler antes, na varanda, as manchetes do dia. Era algo que me faria muito bem. Foi assim que acompanhei a “crise mundial do petróleo”, a criação do “Proálcool”, o “pacote de abril”, a “revolução sandinista” e a “crise dos reféns norte-americanos no Irã”, além das notícias esportivas, para saber do dia-a-dia do Vasco da Gama, o famoso “gigante da colina”, com o seu “Dinamite”.

Fato curioso que me veio à mente foi que a minha primeira saudação na forma de continência se dirigiu ao Dr. José Clélio. Era um dia de 1970, estava eu começando minha vida escolar e de forma repentina, mas educada, apareceu na sala de aula do 1º ano primário do Colégio Aristeu Aguiar, o Diretor do Educandário. Em sinal de respeito toda a classe, sob as ordens da professora Aída Moreira, levantou-se para saudar a presença da autoridade escolar. Sim, isto no Brasil de hoje pode estar fora de moda, ser cafona, ser desprezado, mas sem dúvida emulava respeito e civismo pátrio.

Volto aos apelidos ou apodos, como queiram. Descobri quase 200 novos em minhas lembranças recentes. Não vou apresentá-los em ordem alfabética, e ainda, não direi a quem se referem. Alegre vai ficar curioso, o suspense gerará boas risadas.

Eis a relação que me gera muita curiosidade sociológica: Carne Seca, Bilú-Tetéia, Capa-Bode, Remela, Radinho, Bactéria, Dindinha, Carabina, Peitudo, Black, Binha, Tizil, Dão, Pupinha, Macio, Luizão, Titeté, Bubula, Dim, Dula, Magnésia, Rolinha, Carrão, Bolão, Zé Bodoque, Zé Buchudo, Zé Ruela, Zé Galista, Zé das Botas, Zé Picolé, Dudú, Tuca, Tutú, Tutuca, Nato, Tonho, Toninho, Tonhão, Pim-Pim, Panela, Pindoba, Tia Chica, Mentinho, Ferrinho, Bola Sete, Cumbaca, Maromba, Nequinha, Dedão, Torresmo, Mijão, Churrucaia, Canudinho, Qué, Bá, Bei, Tita, Brucutú, Dentinho, Pipa, Lilica, Lilito, Nizinho, Caléu, Filho do Pai, Perobinha, Fiota, Xereta, Dedé, Didi, Dodô, Gaúcho, Tininha, Cabidela, Deco, Cuta, Teca, Vavá, Pança, Cecé, Golô, Xandinho, Lalace, Zunga, Cotinha, Teté, Bombril, Pelanquinha, Lorinho, Ninil, Mexerica, Mocorongo, Gato Seco, Bolachão, Tenebroso, Zel (Pato Rouco), Cuca, Laro, Dida, Duda, Mamãozinho, Galinha, Galinheiro, Cabeção, Piúca, Pingo, Panca, Tidinha, Alicate, Paínha, Nino, Lafa, Bolinha, Maricota, Beiçola, Negronha, Julião, Baiano, Mudinho, Doceiro, Nana, Chininha, Tetinha, Zuza, Filinha (várias), Tentadão, Caburé, Vasquinho, Tota, Pequitita, Frangão, Cica-Beiçudo, Bastião Vermelho, Kelinho, Valdirão, Bibi, Belêco, Piruzita, Bú, Lota, Fefenta, Testinha, Tatão (vários), Caxipite, Da Lua, Veiáco, Julito, Maninha, Nica, Topogígio, Borracheiro, Leca, Pepé, Sizinho, Madá, Naná, Indinho, Zica, Mazinho, Fio, Bié, Piolho, Lim, Niquima, Godero, Rangão, Bocão, Pequeno e Gigante.

Assim, no Alegre, Joaquim é apelido de Anderson, Bilau e Pinel são substantivos próprios de respeitadas famílias. E por aí vai…

—

Professor Júlio Cezar Costa
Consultor Sênior de Ordem Pública e Segurança Cidadã
Coronel da PMES – Idealizador Nacional da Polícia Interativa
Associado Sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Eu creio na Parúsia!
Cleilton Gomes

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